Pouquíssimos músicos começam a compor pensando em dinheiro. Para muitos artistas, ser músico, compositor ou autor é antes de tudo uma forma de se expressar da melhor maneira possível. Mas, à medida que você conquista um público, talvez comece a considerar a ideia de viver da sua própria música.

É nesse momento que vale a pena pensar em licenciar a sua música. Licenciar significa permitir que outra pessoa use o seu trabalho dentro de certos limites. O licenciamento musical pode parecer um assunto complicado no início, mas entender os detalhes faz toda a diferença entre quem consegue “vingar” como artista comercial e quem não consegue. O licenciamento de sincronização é uma das formas mais comuns e rentáveis de licenciamento.

O que é licenciamento de sincronização?

Se você é novo no tema do licenciamento, comece pelo nosso guia completo. Nele, explicamos por que o licenciamento é tão importante para os músicos e como diferenciar os vários tipos de licença que um músico pode conceder para o seu trabalho. O licenciamento musical é uma fonte de renda boa demais para ser ignorada.

O licenciamento de sincronização é uma dessas formas, e o nosso artigo original já falava um pouco sobre ele. Aqui, vamos nos aprofundar nas oportunidades de sincronização para músicos. Vamos começar pelo básico: “sync” vem de “sincronização”. O termo descreve o processo de combinar, ou sincronizar, uma música com qualquer imagem em movimento numa tela.

Se você já assistiu a um comercial ou a um filme e se admirou de como uma determinada música capturou perfeitamente o clima de uma cena, foi uma licença de sincronização que tornou isso possível. E, claro, também a contribuição dos músicos envolvidos.

Quem pretende usar uma música junto com imagens em movimento precisa obter as licenças de sincronização do detentor dos direitos da gravação e da composição. A maioria dessas licenças envolve um pagamento único, feito antecipadamente. O quanto você vai receber pela sua música depende tanto da sua capacidade de negociar quanto da importância daquela faixa específica para quem quer usá-la.

Mas esse pagamento único não é o único motivo pelo qual a sincronização é rentável para os músicos. Além da taxa inicial de licenciamento, compositores e editoras também podem receber royalties de execução pública toda vez que um programa que contém a música é transmitido por streaming ou por qualquer outro meio. Em alguns casos, a soma desses dois pagamentos cria fontes de renda significativas a partir de pouco mais do que uma única faixa.

E há outras vantagens. Os acordos de sincronização podem abrir um novo público para uma música, seja ao virar a abertura de uma nova série da Netflix, seja ao aparecer num comercial veiculado num país onde a faixa ainda nem havia sido lançada. As possibilidades são (quase) infinitas.

Como começar no licenciamento de sincronização?

A esta altura, esperamos que você já esteja animado o suficiente com a sincronização para querer saber como aproveitar essa oportunidade. Então, como colocar a sua música diante de um público maior ou conquistar um público totalmente novo para o seu trabalho?

Na maioria dos casos, as editoras musicais buscam ativamente oportunidades de sincronização para os seus artistas. Para a editora, todo mundo sai ganhando: quando o músico ganha mais com a sincronização, a editora também ganha. Se você já trabalha com uma editora musical, não tenha receio de perguntar quais opções de sincronização ela sugere para a sua música.

A sincronização é uma via de mão dupla. Assim como as editoras buscam oportunidades, as produtoras musicais e as agências de publicidade procuram a faixa ideal para cada projeto. Algumas produtoras musicais se dedicam exclusivamente a encontrar a música certa para um projeto audiovisual. Isso pode surpreender à primeira vista, mas faz todo o sentido quando você pensa no peso que a combinação certa tem.

Escolha a combinação certa

A música certa pode transformar um filme em algo icônico e inesquecível. Pense em clássicos como “Time of my Life”, do filme Dirty Dancing, dos anos 1980, ou “Take my Breath Away”, do Top Gun original, também daquela década. Ouvir essas músicas sozinhas já traz à tona, na hora, as lembranças de quem assistiu aos filmes na época em que estrearam.

E, mais de 30 anos depois, essas músicas marcantes ainda despertam as mesmas emoções em novos públicos. O detalhe interessante é que os realizadores da continuação de Top Gun, Maverick decidiram não reaproveitar a música original. Não foi por esquecimento. Eles perceberam que a faixa estava ligada demais ao relacionamento entre os personagens dos anos 1980, vividos por Tom Cruise e Kelly McGillis. Como McGillis não participou da continuação, os produtores escolheram uma música diferente, de Lady Gaga, para retratar o romance entre os personagens de Cruise e Jennifer Lawrence na sequência.

A música da Lady Gaga é outro exemplo interessante de sincronização. É claro que a equipe dela precisou conceder as licenças necessárias para a produção, mas a oportunidade foi muito além disso. O compositor Hans Zimmer usou a melodia da faixa para criar o tema de amor de Maverick. Lady Gaga recebeu mais um crédito e passou a ter direito a royalties adicionais.

Encontre o apoio certo

Para artistas relativamente novos, conseguir apresentar a própria música a produtores e outras pessoas que tomam decisões pode ser demorado. Esse trabalho também pode tirar o foco de compor músicas novas ou de fazer shows. É aí que vale a pena deixar uma editora musical encarregada de buscar oportunidades de sincronização de forma ativa.

Do ponto de vista de uma produtora, trabalhar com um artista representado por uma editora agiliza o processo de licenciamento musical, porque fica mais fácil entrar em contato com o artista e obter o seu aval.

Além disso, trabalhar com um único artista reduz o número de partes envolvidas. Há sempre, no mínimo, dois lados a consultar: quem detém os direitos da gravação e quem detém os direitos da composição. As coisas podem se complicar quando um produtor quer usar uma versão cover de uma música ou uma obra de um artista já falecido cujo trabalho é gerenciado pelo espólio. Nesses casos, produtores e supervisores musicais precisam contatar outras partes, o que costuma prolongar o processo. O mesmo pode acontecer com bandas em que mais de uma pessoa contribui para a composição.

Além de encontrar uma editora musical proativa, quem conhece o mercado recomenda que os artistas façam o máximo possível para construir o próprio público. O raciocínio é simples: seja qual for o tipo de produção, os responsáveis pela música costumam estar saturados de opções. Ao ampliar o público, os músicos ficam mais fáceis de notar. Eles começam a se destacar da multidão e ficam mais reconhecíveis para os diretores de publicidade, por exemplo.

Algumas editoras musicais cobram uma mensalidade pelos seus serviços. Embora seja uma prática comum, isso também pode sair caro rapidinho para o músico. Uma opção mais econômica é pesquisar os canais que combinam com a sua música e descobrir quais editoras costumam colocar faixas por lá. É verdade que essa abordagem pode levar algum tempo no início, mas economiza dinheiro a longo prazo e ajuda você a criar relações profissionais no setor.

Quais são as principais oportunidades de sincronização?

Já falamos de algumas das principais oportunidades de sincronização para músicos, como os filmes e a publicidade. Mas elas estão longe de ser as únicas. Uma forma bem simples de pensar na sincronização é imaginar todas as telas que existem na sua casa ou na casa da sua família e os diferentes tipos de conteúdo que elas exibem. Todo esse conteúdo precisa de licenciamento adequado. Aqui vai uma seleção rápida de algumas das maiores oportunidades de sincronização para músicos:

  • Filmes
  • Comerciais
  • Séries e programas de TV
  • Filmes e séries de plataformas de streaming
  • Documentários
  • Videogames

A chegada das plataformas de streaming multiplicou as oportunidades para os músicos. Como há cada vez mais conteúdo sendo produzido para atender à demanda, hoje as chances de ser escolhido para uma produção são maiores do que nunca. Embora os serviços de streaming tenham aparecido nas manchetes recentemente por perderem assinantes pela primeira vez, o mais provável é que estejamos entrando numa fase de consolidação, e não de declínio.

Documentários e videogames são mais duas áreas de conteúdo que precisam de música e, portanto, de licenças de sincronização. Assim como os produtores de filmes, os documentaristas usam a música para provocar uma reação emocional no público ou para ajudar a explicar um conceito complexo. E, como os filmes, os videogames também contam histórias. Eles usam a música para reforçar a narrativa e criar uma experiência mais imersiva para quem joga.

Se você está se perguntando por onde começar a procurar oportunidades de sincronização como músico que ainda não trabalha com uma editora, um dos caminhos mais simples é começar pela opção com a qual você se sente mais à vontade. Por exemplo, se além de músico você também é um gamer dedicado, faz sentido buscar contato com desenvolvedores de jogos. Outro exemplo: talvez você saiba que uma equipe está rodando um documentário sobre um tema que mexe com você e que já aparece na sua música. Procurar a produtora seria uma ótima maneira de se apresentar e criar uma relação.

Quem mais participa de um acordo de sincronização?

Como músico com alguma experiência no mercado, você já sabe que normalmente há várias partes envolvidas para tirar um projeto do papel. A sincronização não é exceção, e já mencionamos algumas delas.

Além do artista e do supervisor musical de uma produção, há os usuários finais da licença e qualquer empresa de licenciamento ou outro representante do artista que participe do processo.

Os usuários de sincronização são os criadores que querem casar o seu conteúdo audiovisual com a sua música. Na teoria, pode ser qualquer pessoa em busca dessa combinação. Na prática, porém, os músicos raramente vendem licenças para criadores individuais ou usuários muito pequenos. Os custos e a logística de fechar um acordo desse tipo costumam superar os benefícios para eles. Como músico, isso significa que você quer chamar a atenção de empresas de um porte razoável.

Os supervisores musicais muitas vezes estão na posição de alinhar os objetivos dos músicos com os de quem usa as licenças. Aqui, é importante não subestimar o quanto a agilidade e uma comunicação fluida fazem diferença. A música é, claro, o critério mais importante. Ainda assim, se um artista é impossível de localizar, até o produtor mais paciente vai seguir em frente e buscar uma alternativa em vez de atrasar a produção inteira.

As empresas de licenciamento têm formatos e tamanhos variados, de departamentos de grandes empresas a negócios independentes que disputam o trabalho de artistas independentes ou de editoras menores. Alguns dos maiores nomes do mercado criam uma ligação direta entre o artista e a produtora. Como em outras áreas da indústria musical, há mais de um caminho para chegar aos seus objetivos.

O resumo do licenciamento de sincronização

Nunca houve tantas oportunidades de sincronização para os músicos como hoje. A enorme quantidade de conteúdo produzido nos mais variados canais provocou um aumento expressivo nessas oportunidades. Alguns especialistas chegam a dizer que existe uma oportunidade de sincronização para (quase) toda música.

O essencial é acertar a combinação entre o conteúdo audiovisual e a música. Vale notar que, em algumas ocasiões, o conteúdo de áudio também exige licença de sincronização, mas o conteúdo em vídeo continua sendo o mais comum. Para chamar a atenção de um supervisor musical ou de quem usa as licenças, muitos artistas optam por trabalhar com uma empresa de licenciamento profissional.

Os acordos mais bem-sucedidos também contam com a participação do artista e com a sua disposição de divulgar o próprio trabalho e cultivar a sua comunidade. Você está pronto para abraçar as oportunidades de sincronização? Fale com a nossa equipe para saber como podemos ajudar você a alcançar os seus objetivos como músico.

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